quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Jogo Interior do Parkour

Autor: Chris “Blane” Rowat

Tradução e Adaptação: Túlio Hoffimann Mendes

Texto Original: http://blane-parkour.blogspot.com/2008/01/inner-game-of-parkour.html


O Jogo Interior do Parkour


“O jogador do jogo interior vem para valorizar a arte da concentração relaxada sobre todas as outras habilidades... Ele foca no tipo de performance espontânea que ocorre somente quando a mente está calma e parece ser um só com o corpo, a qual acha suas próprias surpreendentes maneiras de ultrapassar seus próprios limites de novo e de novo... O jogador do jogo interior descobre uma determinação para vencer que libera toda a sua energia e jamais se desencoraja por perder”


- Timothy Gallwey, Introdução ao O Jogo Interior do Tênis.


Recentemente na frança, eu tive a oportunidade de ler um interessante livro chamado O Jogo Interior do Tênis. Apesar de nunca ter jogado tênis por mais de 2-3 minutos na minha vida inteira, eu aprendi uma quantidade considerável sobre alguns aspectos mentais do esporte, pressão e o conceito de dois eu's que eu nunca havia considerado antes. Este livro, combinado com algumas outras lições que eu aprendi em viagens resultaram em uma dramática mudança na minha abordagem a um novo movimento em que eu tipicamente ficaria assustado. Eu quero compartilhar esta abordagem neste artigo para ajudar outras pessoas a lidar com as dúvidas e os medos que elas encaram ao se deparar com um novo obstáculo.


Enquanto tentamos dominar nossos medos e dúvidas em frente a um novo salto, todos temos nossos próprios métodos de lidar com um batimento cardíaco acelerado, dilatação de pupilas, aumento de tensão em nossos músculos e respiração instável. Alguns tentam segurar a respiração, outros contam de cinco para baixo, algumas pessoas fecham seus olhos e outras gritam palavras de segurança para si mesmas. Mas desconsiderando a quão única é a sua preparação para um novo movimento, existe algo que todos nós temos em comum quando estamos lidando com o medo. Uma batalha interna entre dois eu's invisíveis inicia-se e essa é a razão pela qual nós frequentemente sentimos um conflito interior e confusão em frente a esse novo obstáculo.


Timothy Gallwey, autor de O Jogo Interior do Tênis sugere a existência de três tipos de jogadores de tênis e eu penso que existam similarmente três tipos de praticantes no Parkour:


  1. O pensador excessivamente positivo, cheio de autoestima por causa do seu jogo superior.

  2. O pensador excessivamente negativo, constantemente analisando oque está errado com ele e seu jogo.

  3. O Jogador do Jogo Interior, simplesmente aproveitando e fazendo aquilo que parece substancial.



  1. Agora o praticante de Parkour excessivamente positivo, que acredita que suas habilidades são superiores a das pessoas ao seu redor, colocam a si mesmos sob uma incrível pressão. Antes de um novo salto suas mentes estão cheias de pensamentos com respeito ao custo da falha e como eles podem parecer para os menos experientes a sua volta caso eles falhem e errem o salto. Eles temem que as pessoas o julguem, comecem a duvidar de suas habilidades, riam deles ou falem pela suas costas. Justamente quando eles precisam de foco e concentração, eles encontram essa dificuldade devido a esses potenciais danos ao seus egos os distraindo. A outra prática potencialmente perigosa que esse praticante pode frequentemente seguir é a de subestimar um salto, achando que sua superioridade significa que ele não precisa dar completa atenção a esse obstáculo.


  1. O pensador negativo no Parkour encara um salto com dúvidas imediatas e uma destrutiva falta de segurança. Antes deles ao menos darem um passo a frente para encarar o salto eles estão lembrando-se da última vez em que caíram enquanto tentavam um movimento similar. Eles estão preocupados com o quanto eles dormiram na noite passada e preocupados se esta pode ser a chance que eles merecem para mudar os seus treinos e concertá-los. Quando eles finalmente olham para o salto, eles duvidam de suas habilidades em julgar a distância por experiência, medindo-a usando seus pés, sentindo fraqueza nas pernas, peso em seus braços e ficando altamente ansiosos. Ao contrário do pensador excessivamente positivo, o pensador negativo é frequentemente culpado por super analisar saltos e subestimar suas habilidades em completá-los.

  2. O 'Jogador do Jogo Interior' aborda todo novo obstáculo com um novo par de olhos. Ele conta com sua preparação e experiência prévia para guiá-lo através do novo salto e desconsidera absolutamente sua reputação, ego, o custo a longo prazo da falha ou sucesso, dizer a seus amigos que ele fez o salto, filmá-lo para seu novo vídeo ou machucar-se e ficar parado por um mês. Não há negativo ou positivo, passado ou futuro – somente o aqui e agora e esse desafio que ele deseja completar. Eles são realistas sobre suas habilidades e podem dar ao salto completa atenção apesar de não super analisá-lo.


Se você pertence a alguma das duas primeiras categorias, então existem boas chances de você ficar frequentemente frustrado ou mesmo com raiva quando você pratica, temendo mais do que só obstáculos. Neste artigo eu gostaria de ajudar qualquer um preso nessas categorias a mudar suas mentes, se eles quiserem.


A solução é simples quando você percebe que todos os potenciais problemas mencionados existem porque há um conflito presente. Existem dois eu's trabalhando e somente um pode eventualmente ajudá-lo a completar o salto.


Eu 1, 'o conselheiro', é responsável por aconselhar sua mente e corpo sobre oque eles devem pensar e fazer. Ele é a voz dentro de você que é usada para ajudar a setar metas e alvos, lhe informa do perigo e toma decisões. Ele é oque lhe faz lembrar do custo da falha, sucesso, injúria, errar o salto e acertar o salto. Mas o Eu 1 também tem problemas de confiança e o outro fator que ele tenta controlar é como nós nos movemos. Ele enche sua mente com pensamentos como “Certifique-se de curvar seus joelhos”, “Deixe sua mão esquerda aberta até o último momento”, “Use toda a força para fazer o salto” e “Se eu errar eu terei que me salvar de alguma maneira”. Ele pode lhe falar “Você é imprestável, você nunca será um grande tracer”ou dizer-lhe “Eu sou incrível! Eu posso fazer qualquer coisa hoje”.


Eu 2, 'o agente', é responsável por fazer oque ele foi treinado para fazer. Ele não tem interesse em fatores externos ou opiniões, nenhum conceito dos problemas do Eu 1 é usado para tentar nos distrair. Ele é simplesmente o acúmulo de experiências passadas e treinamento. Infelizmente, ele raramente tem permissão para enfrentar um novo salto, assim como ele é frequentemente intimidado em submissão ao Eu 1.


Quando criança, nós contamos exclusivamente com o Eu 2.


Quando nós estávamos aprendendo a andar, nós nunca fomos aconselhados pelo Eu 1 para “Continuar equilibrado, colocar um pé na frente do outro, balançar os braços, continuar respirando... e manter as costas eretas” e nós não tínhamos um ego para nos alertar “Se eu falhar, as pessoas podem rir de mim. As outras crianças podem pensar menos de mim porque eu não consigo andar”. Em vez disso, nós confiamos no Eu 2 – nós simplesmente presenciamos outra pessoa andando, tentamos copiá-las, provavelmente caímos várias vezes... Mas no fundo de nós, lições foram aprendidas. Talvez nós caímos para a esquerda, então na próxima vez, sem pensar sobre isso, nós tentamos nos inclinar um pouco mais para a direita. Por esse simples processo de testes, avaliando o resultado sem ego, e decidindo oque deve ser feito para melhorar, nós aprendemos como andar e se você está lendo isto, você é provavelmente bastante habilidoso em andar, inteiramente graças ao Eu 2.


Então quando nós paramos de confiar nesta incrível ferramenta de aprendizado?


Enquanto crescemos nós aprendemos lições de vergonha, embaraço e falha. O Eu 1 começa a dar as caras e afetar cada ação nossa, não só no esporte mas em todos os outros aspectos das nossas vidas. De repente, toda ação tem um encadear de consequências e baseado nessas consequências, nós rotulamos o resultado como sendo bom ou ruim, positivo ou negativo, certo ou errado.

Quando nós estamos aprendendo a andar não existia bom ou ruim, simplesmente oque funcionava e oque não funcionava. Nós não considerávamos falhar como uma coisa ruim, era simplesmente uma parte natural do aprendizado em como ficar em pé mais vezes no futuro.


A solução então era achar uma maneira de lidar com os problemas de confiança do Eu 1 e dar ao Eu 2 um pouco mais de crédito, afinal de contas ele lhe ensinou a andar. Mas lembre-se que o Eu 1 continua nos sendo útil porque ele tem a habilidade de nos estabelecer objetivos e novos desafios, assim como nos avisar do perigo. Então idealmente o Eu 1 deve setar um objetivo realista e então deixar o Eu 2 executá-lo com completa confiança na habilidade de sua outra metade. Quando os dois eu's trabalham em harmonia e fazem suas tarefas, o resultado é altamente recompensador.


O que eu venho treinado recentemente e explicado para as pessoas com as quais eu treino é colocar mais confiança no Eu 2 quando de frente a um novo salto. Para fazer isto você precisa encontrar uma maneira de acalmar sua mente, distrair o Eu 1, e deixar o Eu 2 tomar o completo controle, assim como ele fez com tanto sucesso quando você era uma criança. O Eu 2 não precisa pensar sobre distâncias ou alturas e lhe prover com palavras e números como retorno, ele simplesmente se adapta ao obstáculo baseado em treinos e experiências prévias. Sem pensamentos específicos sobre a potência requerida, velocidade ou técnicas necessárias – O Eu 2 basicamente recebe um objetivo e faz oque for preciso para alcançá-lo.


A maioria das pessoas sentem uma certa pressão antes de um novo salto, uma tensão, ou um “aperto”. Eles estão tentando forçar a si mesmos a executar um salto mas essa não é a abordagem que eu recomendo. Você precisa pensar nesse processo como uma libertação ao invés de uma obrigação. Deixe seu corpo fazer oque ele já sabe como fazer. Se você joga uma bola de um telhado e quer que ela alcance o chão, você “deixa ela ir” e confia que ela alcançará o chão – Você não empurra ela em direção ao chão enquanto sua mente está cheia de cálculos e teorias.


Então, como o Eu 2 funciona?


Ele funciona através dos complexos métodos de aprender com a experiência. Cada repetição, exercício e movimento passado lhe agrega algumas coisas que nenhum livro, palavra dita ou vídeo poderia. Existem fortes ligações entre o seu cérebro e os seus músculos e dadas ao seu corpo experiência e conhecimento, futuramente serão melhor realizadas ações similares. É de longe melhor do que confiar no Eu 1, porque a natureza do Eu 2 não muda dependendo do seu humor, preferências e suas opiniões ou se você pensa que tem algo a ganhar ou perder em um novo salto. Simplesmente situa, ele é honesto e imparcial.


Obviamente é importante ter experiências e treinamentos prévios em abundância para contar com em um novo movimento então é por isso que o treino deve ser gradual e a progressão estável é vital para permanecer seguro e saudável.


A ideia de dois eu's em si pode ser aplicada a tudo na vida, mas a outra principal proposta que ela tem em relação ao Parkour é quando ela vem para ensinar aos outros oque você sabe.


O Eu 2 aprende por exemplos e experiência. Ninguém nunca nos disse como andar, nós assistimos um adulto andar então nós tentamos copiar e então percebemos que esta era uma maneira mais eficiente de se mover. Liderando primeiramente por exemplos é o melhor meio de ensinar Parkour. Se você descreve qualquer maneira de passar um obstáculo a um estudante usando só palavras e instruções, o aluno vai entrar em pânico e tentar memorizar tudo e finalmente falhar em entender os movimentos necessários.


Se nós simplesmente pedirmos ao estudante para casualmente observar enquanto você passa um obstáculo, eles vão assimilar e processar centenas de lições sem nem pensar. Eles vão ver sua postura depois do salto, a maneira como seus membros se movem, como você aterriza e para onde nós estávamos olhando em cada estágio. Eles podem não lembrar de tudo mas ainda assim isso foi muito mais produtivo do que simplesmente descrever os movimentos.


Após algumas demonstrações e observações, se o estudante desejar replicar a técnica, eles vão exibir vários traços similares aos do exemplo que eles observaram. Alguns traços podem estar incorretos e outros podem até estar ausentes, mas isto é natural levando em conta que eles não podem esperar aprender tudo imediatamente.


Agora é o trabalho do orientador ser um orientador Eu 2 e não um orientador Eu 1. Ninguém nos disse para nos inclinarmos mais para um lado enquanto aprendíamos a andar, isto foi obviamente quando nós olhamos novamente para os exemplos dos adultos a nossa volta.

O orientador não deve ser um 'conselheiro', ele deve ser um 'agente'.


Ao invés de aconselhar o estudante “não mova seus braços dessa maneira, mova desta maneira...” O estudante deve ser encorajado à “Assista meus braços, e considere como eu movimento eles e como movimentar eles deste jeito me ajuda a executar esta técnica”.

Desta maneira o estudante não se distrai do resto da técnica. Se você pontuar que somente os seus braços precisam ser corrigidos, eles vão por tanta ênfase em corrigir o posicionamento dos braços que não vão considerar o resto do movimento. No entanto, se você simplesmente adicionar outra camada visual a suas experiências, eles vão achar isso muito mais fácil de ser integrado ao progresso geral da sua técnica.


Isso também ajuda a eliminar o ego, visto que você não está dizendo ao estudante que ele está fazendo algo 'bom' ou 'ruim', mas simplesmente advertendo ele para focar em uma certa parte do movimento e sincronizar o movimento dele com o seu parte a parte.


Se você alguma vez perguntou a outro tracer como ele conseguiu fazer algo e ele respondeu “Não tenho certeza, eu simplesmente fiz”, não pense que essa resposta é inútil para você ou pense que ele está sendo rude, essa é provavelmente a verdade. Eles simplesmente se permitem a fazer aquilo então você também pode.


Joe, um bom amigo meu, recentemente teve alguns problemas com um novo salto que estava ao seu alcance. Ele estava ficando frustrado com ele mesmo e queria deixá-lo para outro dia. Eu o perguntei se ele tinha certeza de que queria desistir e ele voltou para dar outra olhada e decidiu que queria fazer aquilo hoje afinal. Ele levou algum tempo medindo o salto mas estava dando muito ouvidos ao Eu 1. Sua mente estava cheia de poréns sobre onde seus braços deveriam estar, onde suas pernas deveriam estar, quanta força ele deveria aplicar, quanto ele deveria virar no ar etc. Eu decidi que agora seria uma boa hora para lhe introduzir as lições que eu havia aprendido.


Existiam alguns saltos similares perto dali que eram mais simples e Joe tinha feito no passado varias vezes, então meu objetivo era pontuar as diferenças de mentalidade ao se deparar com os novos obstáculos.


Diante dos antigos saltos que ele havia feito várias vezes, o Eu 2 estava claramente sob controle. Não haviam pensamentos o distraindo e sua mente não estava ocupada, ele simplesmente olhou para onde ele queria estar e deixou o Eu 2 levá-lo para la. Ele contou com o seu treino e quantidade considerável de repetições passadas.


Imediatamente depois ele quis voltar e ficar de frente ao novo salto mas sua mentalidade quer mudar, é como se tivesse acontecido uma troca repentina entre os dois eu's. E la estava ele novamente pensando sobre o quanto de força ele iria precisar, onde seus membros deveriam estar e muitas outras distrações entram na sua cabeça.


Eu pedi a ele para me assistir fazendo o novo salto algumas vezes mas não para prestar atenção em uma parte particular do movimento, só observar casualmente o salto. Eu não lhe disse como fazer o salto, só mostrei como ele poderia ser feito.


Joe sentiu muito mais confiança sobre o novo salto agora, e pôde claramente ver as diferenças de mentalidade dependendo de qual obstáculo ele estava olhando, foi óbvio para ele que era ali onde estava o problema. Ele só precisava silenciar o Eu 1 e ele conseguiu fazer isso usando um simples pedaço de cartão. Eu segurei um pedaço de cartão nas áreas de aterrissagem dos antigos saltos e passo a passo de novo disse a ele para não pensar, só fazer o que fosse necessário para chegar ao cartão. Eu movia o cartão logo antes de Joe aterrissar e toda vez que ele aterrissava onde o cartão estava logo antes. Depois de um tempo fazendo isso e gerenciando para desligar completamente o Eu 1, distraindo-o com um simples pedaço de cartão, nós fomos ao novo salto e eu coloquei o pedaço de cartão na área de aterrissagem. Sem pensar, Joe executou o salto com tranquilidade. Seus braços, suas pernas, sua potência, sua posição no ar foram todas sem falhas. O cartão não foi importante, ele foi simplesmente uma distração para temporariamente silenciar o Eu 1. Muitos outros métodos podem ser usados para desligar ou distrair o Eu 1 mas esse em particular funcionou para Joe nesse salto. Depois disso ele falou que a diferença foi que ele não superestimou o salto e nem pensou sobre especificidades, simplesmente decidiu onde ele queria estar e deixou o seu corpo levá-lo até la.


É importante notar que ele não foi inconsequente e simplesmente saltou na loucura, ele já tinha feito todos os cálculos e decidiu que poderia fazê-lo com segurança, isso foi somente uma maneira diferente de executá-lo de fato.


Você pode experimentar diferentes métodos para distrair o Eu 1 e gradualmente você vai aprender o quão poderoso o Eu 2 é e o quão confiável ele realmente é. Instinto e 'sentir' um novo salto é baseado na experiência e você deve saber assim que você olha para um novo salto se você pode ou não fazê-lo... Se você decidir que está em tempo e você pode executá-lo, então é a hora de trocar de mentalidade e deixar o seu corpo fazer o resto.


Outra poderosa ferramenta para combater uma mente ocupada é convencer você mesmo de que este não é de fato um novo salto, você já o fez antes. Se você se lembrar do último salto amedrontador que você fez, você vai recordar como foi mais fácil a segunda vez que você o fez. Esta confiança é simplesmente uma troca na mentalidade e se você convencer a si mesmo que esta não é a primeira vez para você e somente outra repetição, o novo salto vai ficar muito mais fácil. Você não está sendo superconfiante, simplesmente está usando este método para distrair o Eu 1 e enganá-lo para que ele o deixe ir.


É importante mencionar que é necessário um pouco de sensibilidade antes de começar a experiência com essas mentalidades – não tente eliminar o Eu 1 por completo porque ele faz um bom trabalho de lhe manter seguro e lembrá-lo de qualquer perigo em um novo salto. Ele é a voz da experiência, mas não a experiência em si.


Escute o Eu 1 assim que você decidir que é hora de tentar um novo salto e se você está pronto para fazê-lo, visualize claramente onde você deseja estar o mais detalhadamente possível – então permita o Eu 2 tomar o controle e alcançar o objetivo sem interferência.


Melhorando esta habilidade de troca de mentalidades quando necessário vai beneficiar altamente a sua progressão e embora eu não esteja plenamente apto a mudar de mentalidade ainda, isto é onde eu venho trabalhado duro recentemente e e já venho notado grandes diferenças. Nos momentos em que eu confiei plenamente no Eu 2 para alcançar um novo objetivo, eu estive muito mais consciente de cada parte em cada técnica e estive apto a ajustá-la de acordo com qualquer variação assim como o tempo em si desacelerou um pouco... Claro que ele não desacelerou, mas foi tudo por ter uma mente clara, focada e tranquila.


Então, quem quer jogar o Jogo Interior?


-Blane


Um grande obrigado a Tim Gallwey e seu livro, O Jogo Interior do Tênis e a Thomas Des Bois por abrir minha mente a esses conceitos e ideias. O crédito também tem que ser dado a Platão que explorou a ideia da alma tripartite a mais de dois milênios atras.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

De volta

Depois de um tempo volto a escrever aqui, aliás se alguém ainda lê o blog estávamos sem postar pois como todos sabem Lukinhas está nos E.U.A e eu não tinha tempo pra escrever aqui. Mas agora estou de volta e vou tentar escrever pelo tempo que estive ausente. Só que minha intenção nesse texto é, mais do que ser o que marca a minha volta me dedicando totalmente ao parkour, mostrar o que passei pelo tempo parado, o que vi e aprendi. É incrível o que se pode aprender passando um período sem treinar, mas acompanhando treinos e a evolução de outros.

Bom, a causa do tempo parado foi o vestibular, um teste em nossas vidas, e que até nisso o parkour me foi de grande ajuda. Eu aprendi a não perder o controle ou ficar nervoso em momentos tensos, e a me concentrar melhor na hora de uma prova, mesmo estando doente. Mas isso infelizmente pode acontecer e não vem ao caso. O que quero dizer é que o parkour na minha vida chegou ao ponto que está em cada ação minha, o autocontrole que tenho atualmente devo ao parkour, a percepção, não me exaltar ou assustar em momentos de algum risco a minha integridade, mas tudo isso aprendi com esforço, dedicação e alguns sacrifícios, e é sobre isso que quero falar agora.

Nesse tempo de pouca atividade minha, muita gente iniciou no parkour aqui em recife, e muitos desses iniciantes eu acompanhei por alguns treinos que fazia ou aparecia só para ver. Muitos deles realmente dedicados ao parkour, mas em alguns não podia-se notar o mesmo, a maioria destes dizendo que não têm tempo. Eu não desacredito dessas pessoas, mas sei como é ter uma obrigação e responsabilidades que exigem muito e mesmo assim por conta da minha paixão não deixei de treinar por todo tempo que pude, uma hora tive que, como eu disse antes, parar totalmente de treinar mas nem nesse período eu estive sem me exercitar ou fazer algo que me ligava ao parkour.

E isso eu queria passar a todos, quando você se identifica com algo ou realmente ama isso, sempre há um meio de fazer o que você gosta ou estar ligado a essa atividade. Quem ama o que faz sempre consegue arranjar um tempo pra isso mesmo que seja pouco, e nós não podemos esperar que uma oportunidade assim venha até nós, temos que procurar e dedicar tempo a isso, mesmo o tempo que não temos. Nenhuma das pessoas que admiramos chegaram onde estão esperando a experiência, a técnica, a coragem, virem até eles, eles foram atrás até conseguir o seu objetivo.

Por ultimo queria dizer que informação nunca é demais, vejo muitos iniciantes que não conhecem quase nada da historia do parkour, dos seu principais representantes atualmente, de como ele é visto em outros lugares, tudo isso merece ser pesquisado e fontes não faltam, é só procurar um pouco e ter disposição. A todos bons treinos e espero que tenham gostado.
Obrigado pela paciência

-pipou

sábado, 6 de setembro de 2008

A ida de Lukinhas

O nosso amigo, e pequeno-grande Traceur, Lukinhas, viajou para os EUA à duas semanas. Ultimamente eu vinha treinando mais com ele e aprendendo muitas coisas em relação ao Parkour, corpo e jeitos de adquirir força e focar em um bom treinamento. Desde essas poucas semanas foras, já sinto sua falta pois venho treinando pouco e confesso até que tou meio desmotivado! Mas isso se reverterá. Porque eu espero que até ele voltar, eu tenha evoluido, todos tenham evoluido no meio que treinamose só assim compartilharemos mais experiências e treinaremos felizes novamente.

;D

Post de estréia: Pedro (Shoryu/Jaqueira)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O descanso é tão importante quanto o treino

O tempo de recuperação é diretamente proporcional ao stress causado aos músculos; quanto maior a intensidade, maior o tempo de recuperação necessário para o crescimento muscular.

"É importante entender que o treinamento não produz crescimento muscular, mas serve simplesmente para estimular o mecanismo de crescimento do corpo. O corpo é que produz crescimento, mas somente se deixado descansar por um período suficiente". - Mike Mentzer
Postado por: Luquinhas

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Outros tipos de treinos físicos

Repetições alternativas:
• Intensive Reps (repetições curtas e rápidas fazendo a mínima variação de graus possível afim de que o músculo permaneça contraído durante toda a série ao invés de haver extensão muscular total)
• Negative Reps (realizar apenas a fase excêntrica - oposto de concêntrica - do exercício. Se o músculo estiver extremamente exaurido peça o auxílio de outra pessoa)
• Resistant Reps (repetições comuns, porém com o auxílio de outra pessoa realizando um trabalho oposto/resistente)
Treino alternativo:
• Until Failure (treino com intervalo de descanso muito curto – 30 a 45 segundos – e com o maior número de repetições possível em cada série; fazer o exercício até não conseguir fazer mais nenhuma repetição). No máximo duas vezes na semana.
Parkour:
• Aquecimento gradual:
Corrida de intensidade gradual, percurso de parkour bem leve, algumas repetições de movimentos com distância razoável (precisions e cats de bobeira), polichinelo, flexões, barras, quadrupedal, climbs e etc.
• Alongamento de 30 a 45 min.
• Aquecimento + fortalecimento (séries e repetições curtas), exemplo:
10 barras, 10 climbs, 10 planches, 10 precisions, 10 cats, 10 kongs
• Descanso de 3 a 4 min. (caso seja necessário um intervalo mais prolongado, procure não ultrapassar dos 5 minutos)
• Treino
Nota final: Esse texto foi escrito totalmente por mim, baseado nas minhas experiências e no que já li sobre exercícios físicos. Por isso, tome bastante cuidado caso for seguir minhas recomendações...Cada corpo é um corpo e o que foi dito nesse texto se encaixou na minha rotina, porém poderá não se encaixar na sua.
Postado por: Luquinhas

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Parkour e a sociedade

Recentemente eu andei observando com mais atenção as competições de alguns esportes que passam na televisão e também refleti e prestei mais atenção nos comentarios de algumas pessoas (não praticantes do Parkour) sobre o Parkour.
Hoje eu estava conversando com um amigo meu e de repente a conversa chegou num ponto em que ele se queixou da forma como os pais deles tratam o Parkour, o interessante foi como eu me identifiquei com o que ele disse hahaha...Meus pais além de, certas vezes, não apoiarem tanto a prática do Parkour ainda falam "pula-pula" e "pinotar" quando se referem aos treinos.
Isso me fez pensar por um tempo o por quê de tanto preconceito que a sociedade tem pelo Parkour.
Acredito que o motivo principal para tanto repudio em relação a prática é a falta de instrutores; varias vezes quando me paravam pra perguntar o que eu estava fazendo, me mandavam indiretas sobre a ausencia de professores no Parkour. Agora veja que interessante:
Por acaso você já viu aulas de skate, bicicleta, patins ? Eu, sinceramente, não...Se realmente existir aulas para todos esses esportes tenho certeza que são MUITO raras. Lógico que na maioria das vezes os praticantes mais velhos ajudam os que estão iniciando, mas pode ter certeza que no Parkour é assim E MAIS UM POUCO. O sentimento de altruísmo e humildade pregado no Parkour, oriundo do Método Natural, transforma as pessoas em indivíduos melhores e mais íntegros; sempre dispostos à ajudar.
Por vezes, o argumento é que o Parkour é uma atividade em que o praticante se expõe a muitos riscos pois não há um local definido para se treinar...HÁ EXEMPLO MELHOR QUE O SKATE ?!
Ah, é por causa do risco? Talvez você queria assistir mais TV...eu já vi bem uns 3 ou 4 programas que são APENAS para mostrar as terríveis quedas de pessoas que fazem ski na neve, snowboard, skate, kart...
O problema é que o povo acha que no Parkour não há uma metodologia, uma disciplina, uma filosofia, um objetivo. O povo tenta julgar sem nem mesmo saber o que de fato é o Parkour.
Pede pra esse povo ir no orkut e procurar comunidades sérias de Parkour...Velho, eu nunca conheci nenhum esporte em que pessoas de todos os cantos do mundo se reúnem na internet para debater e ter discussões sobre a prática (descartemos as discussões inuteis; falo daquelas que são realmente produtivas).
Parkour é muito lindo !!!
Não existe nenhum esporte no mundo que forme mais amizades do que o Parkour. Nos encontros organizados pela galera é uma alegria danada, só estando lá para saber...Pessoas que você nunca viu na vida, que só conhece pelo orkut, são tratada como se fossem amigos há séculos!
Pegunte para um traceur sério, que realmente se dedica e é apaixonado pelo Parkour; passe um bom tempo com ele e você perceberá que existe uma metodologia, um objetivo e acima de tudo uma FILOSOFIA que é, no mínimo, inspiradora.
Todas as pessoas com as quais eu treino com mais frequencia nunca tiveram uma lesão séria. O Parkour nos dá uma disciplina fora do comun, e um senso de avaliação que é aprimorado todas as vezes que vamos treinar. As pessoas que querem começar a treinar procuram ajuda na maioria das vezes no Orkut, e a primeira recomendação é ler, ler muito...entender o que é o Parkour, como ele surgiu e pra que ele serve. A segunda recomendação é que o indivíduo comece devagar, tenha paciencia e tente compreender que o Parkour é uma disciplina que exige muito do praticante - tanto no lado físico, quanto no lado psicológico.
A garra, a determinação e força de vontade dos traceurs é impressionante!! Se você mora no Recife, tente aparecer em algum treino físico e note o nosso esforço, note nossa vontade de querer evoluir, note nossa paixão pela coisa. Veja aqui: http://parkour-recife.blogspot.com/2007/08/o-melhor-conselho-que-eu-posso-dar-um.html
Outro fator que aumenta mais ainda o preconceito é pelo fato de que no Parkour não existe competição, tornando a prática sem objetivo. Vou tentar explicar de uma forma bem resumida no que o Parkour consiste fisicamente: Parkour é uma arte/disciplina que tem como objetivo se deslocar/locomever de um lugar a outro da maneira mais rápida e eficiente possível, usando apenas seu corpo, mantendo sua integridade física e gastando o mínimo de energia possível.
Varias vezes me perguntaram, ironicamente, se eu faço Parkour para salvar pessoas...Esse não é o objetivo, e sim a consequencia.
Eu pratico Parkour pq é uma atividade a qual eu me identifiquei, a qual eu adoro fazer. A utilidade no Parkour é uma consequencia; eu tenho convicção que eu poderia em determinada ocasião entrar um lugar de dificil acesso, ou até mesmo fugir de um cachorro...mas não é para isso que eu treino.
Um nadador profissional, por exemplo, treina pra caramba pra poder conseguir uma boa colocação na competição...o objetivo dele é esse: Ser um bom nadador e ganhar medalhas. Porém, não há duvidas que numa situação emergencial em que ele precisasse nadar metros e mais metros ele seria capaz de fazer isso.
O Parkour hoje é muitas vezes divulgado como se fosse uma atividade espetacular, acrobática e feita para ganhar dinheiro em cima de comerciais e showzinhos baratos...Felizmente, há aqueles que se esforçam para fazer uma divulgação correta, mostrando como o Parkour é uma atividade saudável e bonita, podendo ser praticada por toda e qualquer pessoa.
Espero que esse texto possa pelo menos abrir os olhos de algumas pessoas que andam com mente fechada e cheia de opiniões superficiais sobre o Parkour
Postado por: Luquinhas

quinta-feira, 17 de abril de 2008

domingo, 30 de março de 2008

É só isso

Há tempo queria escrever este texto e não sei por onde começar, então eu vou só deixar fluir. É mais ou menos sobre isso que eu quero escrever; a simplicidade de algumas coisas, que as vezes nós tornamos complicadas.

Hoje em dia, todos fazem um texto sobre Parkour, sobre o que é a arte. Claro que cada um tem sua opinião sobre o Parkour e creio que cada um a deve expor. Mas por que essa necessidade de definir o Parkour? Muitos traceurs, para os quais o Parkour já é um modo de vida, devem ter passado por uma situação como esta pela qual eu já passei: alguém te pergunta, o que é o Parkour pra você? E você não consegue responder nada, mas ao mesmo tempo pensa em tudo, tudo o que representa o Parkour e tudo que este representa, simplesmente tudo.

Como eu disse antes, cada um tem seu ponto de vista, seu modo de vida. Eu venho aprendendo com o Parkour ultimamente, e com outras coisas, a seguir minha filosofia de vida. Há um tempo eu comecei a treinar Tae Kwon Do, e já me perguntaram: tu treina TKD por causa do Parkour? E eu dizia; sim. Mas com o tempo eu fui notando que isso tudo vem fazendo parte do meu modo de viver, da maneira como eu quero levar minha vida. O Parkour é tudo para mim, e junto com o Tae Kwon Do e outras coisas, vem me ensinando a levar minha vida de acordo com meus ideais, sempre aprendendo e inserindo coisas novas.

As vezes nos ligamos demais a definições e nomenclaturas. Lembro de um dia que eu estava treinando com lukinhas, e nós estávamos em cima de um minihalf onde treinamos algumas vezes. Eu já tinha tentado umas 2 vezes pular do half me agarrando na base de um coqueiro que ficava abaixo, e ele perguntou: "Tás querendo fazer cat leap para o coqueiro?" E eu respondi: quero pular para o coqueiro. Vendo a reação no rosto dele eu percebi que ele tinha notado uma coisa que eu também vinha notando; nos preocupamos demais com os nomes dos movimentos. Por que fazemos um pop e não simplesmente "passamos o muro"? Por que um precision e não um simples pulo daqui para ali?
Outra coisa que acontece também, quando chega um iniciante lhe ensinamos um monkey e um lazy e não a passar de frente e de lado no muro, é muito mas simples ensiná-lo a saber usar seu corpo, a se conhecer. Definições só tornam tudo mais complicado, "quando usamos uma maneira sem nome de passar um muro deve-se chamar de passement" lembro quando eu pensava assim, atualmente eu a chamo de Parkour.

É até paradoxal buscar a "perfeição" de forma simples, mas por isso o Parkour é único e incomparável, podemos com simplicidade buscar sempre a evolução dos movimentos e nossa evolução física e mental. Com certeza ainda temos muito a aprender, e inserir em nossas vidas. Sempre poderemos pedir que se afastem do nosso sol.

Postado por: Pipou

Run, baby...Run!

Queria começar o post agradecendo à todos aqueles que me incentivaram na corrida de sábado (29/03).E pra quem tá junto sabe que eu tô gostando pra caramba dessa parada...Então vamo se embora!
Pois bem...Recentemente eu dei uma lida num artigo muito interessante da revista SportLife...Eu modifiquei um pouco a rotina mostrada na revista, pois achei que a original não ficou muito boa para mim... Ah, apartir de amanhã eu volto aos treinos de natação. Talvez eu poste aqui um texto parecido com esse, só que pra quem quer nadar.
O que será mostrado agora não é a melhor forma, pois cada corpo é um corpo. A rotina abaixo é pra servir de exemplo, porém os números irão variar de acordo com o seu desenvolvimento

Semana 1:
Dia 1 - Treino com velocidade constante, em ritmo de prova
3km em ritmo forte
Dia 2
Descanso
Dia 3 - Treino com intervalo; tiros com intervalos estaticos (parado)
10 x 500m (com intervalos de 1')
Dia 4 - Treino regenarativo; corrida leve (trote) em piso favorável (grama ou areia molhada)
30'
Dia 5
Descanso
Dia 6 - Oh shit!
5km

Semana 2:
Dia 1 - Treino com velocidade constante, em ritmo de prova
4km em ritmo forte
Dia 2
Descanso
Dia 3 - Treino com intervalo; tiros com intervalos estaticos (parado)
7 x 1km (com intervalos de 2')

Dia 4 - Treino regenarativo; corrida leve em piso favorável (grama ou areia dura)
45'

Dia 5
Descanso
Dia 6 - Ai, ai, ai...
7km

Semana 3:
Dia 1 - Treino com velocidade constante, em ritmo de prova
5km em ritmo forte
Dia 2
Descanso
Dia 3 - Treino com intervalo; tiros com intervalos dinamicos

*5 x 1,5km (com intervalos de 500m de trote leve entre cada repetição)*

Dia 4 - Treino regenarativo; corrida leve em piso favorável (grama ou areia dura)

1h
Dia 5
Descanso
Dia 6 - Vamo lá, né?
10km


Semana 4:
Dia 1 - Treino com velocidade constante, em ritmo de prova

5km em ritmo forte
Dia 2
Descanso
Dia 3 - Treino com intervalo; tiros em velocidade com intervalos dinamicos
*10 x 800m (com intervalos de 400m de trote leve entre cada repetição)*
Dia 4 - Treino regenarativo; corrida leve em piso favorável (grama ou areia dura)
1h
Dia 5
Descanso
Dia 6 - Sério?
12km

*Muito cuidado com o dia 3 da terceira e da quarta semana. Os metros percorridos no trote NÃO CONTAM com os que vc vai fazer em cada série!
Exemplo:

Postado por: Luquinhas

quarta-feira, 19 de março de 2008

That's it! (desabafo)

Fiz esse texto para exprimir todo meu sentimento em relação não só ao Parkour mas todas as coisas que são ligadas à ele. Quando comecei a praticar Parkour nunca imaginei que isso se tornaria algo tão especial pra mim...Hoje sou eternamente grato à todos que me fizeram ser o traceur que sou hoje. Sem eles, talvez eu estaria agora comendo pizza e chorando por tirar notas baixas, botando sempre a culpa na minha diabetes ! xD

Com o passar do tempo - dos treinos, das experiencias e dos textos lidos - fui percebendo que Parkour havia se tornado para mim algo muito mais importante que um hobby ou um "esporte" que eu gosto muito de praticar. Parkour tornou-se paixão, tornou-se algo indispensável na minha vida!
Acredito que você, caro leitor (uahehuae), já ouviu alguem perguntando "Por que vc pratica Parkour ?"
Muitos traceurs ainda não acharam essa resposta, outros pensam que acharam mas estão apenas se enganando...Eis aqui o que o Parkour representa para mim:

Parkour pra mim é, como já foi dito acima, uma paixão...mas isso não responde a pergunta não é? Pois bem, tentarei ser mais claro: Parkour por definição é uma disciplina desportiva que consiste em se deslocar de um lugar à outro da maneira mais rápida e eficiente possível. Porém, eu estaria mentindo se disesse que treino Parkour para ser útil e eventualmente salvar alguem que corre perigo.
Apesar dos meus treinos serem totalmente voltados para isso (eficiencia, fluidez e espontaneidade dos movimentos) a utilidade é consequencia! Eu treino Parkour porque isso faz eu me sentir bem. Porque a sensação de gritar "EU CONSEGUI !" é incrível e totalmente diferente de todas as sensações que já senti na minha vida...
De vez em quando caio na dúvida: "Por que eu treino tanto? Por que tanto esforço, suor, dor e agonia ?"
Porque sei que após cada treino eu estou mais preparado pra qualquer situação incomum que aparecer na minha frente. Os treinos me deixam mais atento, mais vivo...Aquece a minha alma e desperta o espírito perseverante!
Quando saio de casa para ir aos treinos de fortalecimento eu ponho um sorriso na cara...mesmo sabendo que eu vou sofrer e que vou sentir dor eu ponho um sorriso na cara! Porque é isso que me deixa motivado, inspirado, determinado...
Movimentar-me, descobrir mais sobre as minhas capacidades fisicas e mentais...isso é incrivel, é instigante. É algo que eu quero fazer pro resto da minha vida!
De vez em quando meus pais me proíbem de treinar em certos lugares - na grande maioria das vezes porquê é violento -, mas hoje eu nem fico chateado, pq sei que terei a vida toda para fazer isso!
Hoje tenho certeza que quando tiver 30, 40, 50 anos ainda estarei praticando.

O Parkour trouxe inúmeras coisas boas para mim. A evolução física e mental com o passar do tempo tornou-se notória...É incrivel como em um simples "esporte" a gente consegue agregar tantos valores morais e tantas virtudes que tornam o indivíduo mais íntegro!
Além disso, as amizades que adquiri por meio do Parkour não são poucas. E não são apenas aqueles "colegas de treino", são pessoas que a gente procura manter sempre ao nosso lado, pessoas que te querem bem e que vc também quer o melhor para elas.

Finalizando, a única coisa que eu acho importante é vc se sentir bem no que faz, se sentir livre! Dedique-se e todo o resto virá junto, pq só se dedica aquele que realmente é apaixonado pelo que faz. Tudo que for de inutil será naturalmente descartado, o foco será a sua, e somente a sua, evolução.

Espero ter sido claro no quanto o Parkour signifca pra mim.
Bons treinos, pessoal !!

Postado por: Luquinhas

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Off-Parkour

Desde que comecei a treinar (de verdade) Parkour eu tento agregar SEMPRE valores morais junto com a prática. Pois bem, aí vão alguns videozinhos que recomendo para algumas pessoas que estão dispostas a refletir e a se comprometerem com alguma coisa útil e que tenha responsabilidade socio-ambiental.

A carne é fraca (TRAILER)
Ilha das Flores - Parte 1
Ilha das Flores - Parte 2
Uma verdade inconveniente (TRAILER)


(Ilha das Flores é um dos melhores documentarios que já vi, e está disponível no Youtube. Tem menos de 15 minutos...Vale a pena!)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Alimentação

Vou tentar fazer esse texto da forma menos chata possível haha...
Como alguns já devem saber, eu comecei a praticar Parkour um mês depois de descobrir que eu era diabético tipo 1 (insulino-dependente). E sem querer fazer clichê, o Parkour ajudou muito (MAS MUITO MESMO) no controle da minha diabetes.

Recentemente eu fui ao endoncrinologista pra fazer um "check-up" e aproveitei pra ir também no nutricionista para repensar meus hábitos alimentares.
Resultado; resolvi fazer um texto aqui no blog sobre a rotina alimentar que EU acho interessante (pra não dizer "ideal") pra um traceur.

A minha alimentação - pelo menos durante as férias - varia de acordo com os treinos. O ideal é que a refeição antes dos treinos sejam mais leves que o normal para não ocorrer indigestão. Por exemplo: se o treino é pela manhã, não é recomendado ingerir uma grande quantidade de cereais (principalmente granola) por conter muita fibra. Diferente do que muitos pensam, a refeição mais importante é a pós-treino, essa aí pode mandar brasa XD

Então ficou o seguinte:
Quando eu vou treinar de manhã, sempre que possível eu tento comer um iogurte e meia tigela de granola, depois eu posso completar com 2 pães e 1 fatia de queijo coalho. Caso falte o iogurte e/ou granola eu como uma porção média de cuzcuz com leite e complemento com pedaços de fruta (mamão e melancia são minhas primeiras opções).
Quanto aos treinos à tarde, o almoço e o jantar são sempre o mesmo, só que em quantidades menores.
Almoço - carne (de preferência peixe ou frango), arroz, feijão (de preferencia preto), purê de batata e de vez em quando farofa de ovo
Jantar - carne (de preferência peixe ou frango)², macarrão e de vez em quando purê

Notas: No almoço, quando eu tô indo treinar eu ponho menos feijão e purê do que o normal, no jantar o macarrão SEMPRE é numa porção bem pequena, e quando tem purê é muito pouco também. Nas duas últimas refeições eu SEMPRE coloco vegetais...daí fica mais ou menos assim:
No almoço eu capricho nos legumes cozidos (cenoura, xuxu, batata, vagem). Já no jantar eu ponho muito tomate, cenoura ralada, beterraba ralada e "MATO" (alface, acelga, rúcula, manjericão, espinafre, brócolis, couve-flor, repolho)

Lanches:
Na maioria das vezes, pela manhã e à tarde, eu como frutas no lanche (banana, goiaba, laranja e maça são as mais comuns). Quando eu tô com mais fome eu faço um mingau quentinho (agua, leite em pó, aveia em flocos, farinha lactea e adoçante).

Então é isso galera, só pra ressaltar que o mais importante é qualidade e não quantidade, e que o ideal é fazer 6 refeições ao dia de 3 em 3 horas xD
E por favor, se você ainda tá com uma rotina alimentar bagunçada, ajeite-a o mais rápido possível. Se alimentar bem e dormir bem são as duas principais coisas para manter uma vida saudável...e para aqueles mais trelosos (adoradores de pizzas, miojos, biscoitos e coisa e tal) vai um aviso: PARE DE COMER PORCARIAS GORDUROSAS E CALÓRICAS !!!
Postado por: Luquinhas

Utilidade no Parkour

Semana passada nós fizemos um treino totalmente voltado para a realidade que, pra mim, foi um dos melhores treinos da minha vida.

Nós começamos o treino normal, colocamos em questão as possibilidades de fuga e a botamos em prática. Sempre há um carinha que persegue e outro que foge. Ao decorrer do treino fomos tirando conclusões que mais tarde foram discutidas...aí está o resultado:

Quando você é perseguido:
• Ou você faz coisas que a pessoa que está te perseguindo não é capaz de realizar, ou traça um percurso complicado que de certa forma "despiste" o perseguidor.
O lance é evitar a corrida e procurar obstaculos para dificultar o caminho de quem está perseguindo.

Quando você é o perseguidor:
• Usar o parkour para ganhar terreno (atalhos)

Os treinos agora serão baseados no que foi dito acima. O ideal é montar um percuso e fazê-lo várias vezes, procurando a melhor maneira para realiza-lo. Ora como perseguidor, ora como fugitivo.

PS: Esse texto era pra ter sido postado no dia 04/10/07, mas como eu fiquei sem tempo com as provas, foi acumulando, acumulando, fui pensando em outras coisas e em outros textos e acabou ficando esquecido por aqui. Hoje eu resgatei do fundo do baú e decidi termina-lo xD
Postado por: Luquinhas

sábado, 27 de outubro de 2007

O corpo precisa de descanso

As vezes nós forçamos nosso corpo a continuar se exercitando mesmo quando estamos fisicamente indispostos. Nosso corpo não é feito para aguentar uma sobrecarga de exercícios físicos. Tem dias que acordamos numa manhã "quebrados" mas botamos nosso corpo ao limite e vamos treinar duro. Eu sempre digo que descanso faz parte do treino e tento levar isso muito a risca.

Pois bem, esse mês eu passei por situações difíceis que significaram para mim mais de 20 dias totalmente parado. O que aconteceu foi que de uma forma ridícula para um praticante de parkour eu dei um jeito no meu punho, e no outro dia eu sentia muita dor ao mexer. Cometi o erro de não ir ao médico no mesmo dia. Passei a semana descansando o punho - sem treinar - mas ao notar que eu não estava melhorando eu decidi ir ao médico...infelizmente só uma semana depois. Descobri que eu havia torcido o punho e precisei engessar por 5 dias. Pra mim foi horrível, pois foi a primeira vez que eu engessei um membro e o fato de não poder treinar me deixou triste. Mas tudo bem, passou 5 dias e eu tirei o gesso...Decidi treinar de leve nesse dia pela tarde, sem forçar o punho. Um acidente que ocorreu nesse dia no final do treino foi um corte na canela e 5 pontos na mesma, que me custou 10 dias de repouso...Foi minha primeira sutura. Eu fiquei realmente abalado, ria para não chorar ou sair chutando tudo, esses dez dias ja se passaram a algum tempo, hoje estou com a perna quase totalmente curada, o que me deixa pior é que nesse tempo o meu punho ainda não está 100%, minha perna estará daqui a alguns dias, mas meu punho, por falta de descanso, não. As vezes nós lesionamos algum músculo mas queremos sempre continuar treinando do mesmo jeito, por que queremos evoluir (tanto no parkour como na força física) de maneira desesperada, sem se importar com o que uma distenção pode se tornar. O que nos deixaria um ou dois dias sem treinar, pode se tornar um inferno de uma ou duas semanas, ou até meses. É preciso dar tempo e descanso ao nosso corpo, e sempre lembrar-nos que o descanso também faz parte do treino.
Postado por: Pipou

Parkour vision: Parte 2

Acredito que é de interesse de todo traceur divulgar a pratica da maneira correta, não só para a sociedade - e finalmente acabar ou pelo menos reduzir o preconceito que há contra a disciplina - mas para os iniciantes (e erradicar de uma vez por todas a prática incorreta do Parkour). A questão que eu quero colocar nesse texto é, o que estamos passando para os novos praticantes ? Existe certo e errado no Parkour ? Sobre essa ultima pergunta eu acredito que não, eu acho que no Parkour existem apenas opiniões e pontos de vistas, já que NINGUÉM do Brasil sabe a fundo o Parkour pregado por Belle.
Esse blog foi feito a partir da criação de um grupo, um grupo que foi criado por pessoas que possuem uma visão semelhante em relação ao Parkour. A visão que eu, você e a grande maioria dos traceurs brasileiros têm é muito parecida com a visão daqueles que iniciaram a prática no Brasil. Eu acho que a opinião de uma pessoa depende quase que 100% do meio em que ela vive, toda pessoa é influenciada pelas pessoas que estão ao seu redor.
Como eu já disse na primeira parte, eu passei meus primeiros meses de Parkour lendo sites com informações erróneas e imprecisas. Depois de um tempo foi que eu comecei a ler o ParkourBR e a ABPK...Minha visão sobre Parkour foi totalmente influenciada por essas pessoas. E essas pessoas, ao postarem seus textos, estavam exprimindo nada mais que suas opiniões sobre a prática. Provavelmente essas pessoas buscaram informações com outras pessoas fora do pais, já que não havia muitos praticantes no Brasil. Mas nenhuma delas teve contato direto com o desenvolvedor da arte (quando digo contato direto eu quero dizer que ninguém pôde, por exemplo, treinar com Belle durante muito tempo)
Acho que o povo se preocupa muito em praticar/divulgar o Parkour dá forma mais correta possível e acaba se perdendo. Aprenda a fazer o SEU Parkour, o que realmente importa é você se sentir bem com aquilo que você está fazendo. Pessoas de mente fechada, que vivem discutindo sobre o que é e o que não é Parkour, discutindo sobre o que é um traceur sério e o que é um modinha. Quem é você pra julgar ? Eu, sinceramente, também acredito na seleção natural. Todo traceur vai ter sua "época de vaults e girinhos", e se ele continuar praticando pode ter certeza que um dia ele vai cair na real. Mas se de repente ele quiser continuar nos giros, você vai tentar impedir o cara ? A escolha é dele e ele faz o que quiser da vida dele. O que mais me dá raiva não é essa galera que gira não, é o povo que acha que os outros estão fazendo do jeito errado e que só eles fazem o jeito certo. Na minha opinião não existe essa parada de certo e errado não, a única coisa que eu considero como "treinar errado" é não querer evoluir. Tanto no parkour e no condicionamento físico, como no conhecimento e na informação. A galera tem preguiça de ler, de se informar, de saber mais sobre o Parkour...Isso pra mim é treinar errado.
Mas...é isso: cada um faz o que quer, e cada um tem o seu propósito no parkour. Tem ginasta que faz parkour pra se divertir, tem militar que faz parkour pra se divertir...Parkour é algo que depende muito do propósito do praticante, a escolha é dele, o Parkour É DELE.
Resumindo tudo que eu queria dizer no texto: Aprenda a diferenciar o que é útil ou não para você, tudo aquilo que não vai fazer você evoluir precisa ser DESCARTADO, simplifique as coisas e busque a evolução. Se praticar uma arte marcial vai te ajudar no Parkour, então pratique! Se estudar e compreender filosofias orientais vai te ajudar, então estude! Mas principalmente, aprenda a fazer o SEU Parkour.
Postado por: Lukinhas

domingo, 14 de outubro de 2007

Parkour vision: Parte 1

Bem, galera...Esse texto tá muito grande pois eu tentei falar sobre tudo que o Parkour significa pra mim, e foi por isso que eu dividi o texto em 2 partes. Espero que vocês gostem do texto e que tirem o máximo de proveito dele xD
Nessas ultimas semanas eu fui motivo de zoação por aqui, pois mudei muito minha opinião em relação ao Parkour.
Aqui em Recife eu sempre fui muito conhecido pelo meu gosto de discutir e dar minha opinião sobre as coisas. O que infelizmente aconteceu foi que a galera pensou que eu odiava free running e que eu tinha até um certo preconceito, mas o lance não era por aí...
Eu pratico Parkour há pouco mais de 1 ano, e conheci a prática por intermédio de um amigo que tinha o nome "Le parkour" escrito no seu caderno. Infelizmente, como o que acontece com a maioria dos traceurs iniciantes do Brasil, a primeira informação de Parkour que eu recebi foi a do blog do Akira, e durante os 2 ou 3 primeiros meses eu lia o site dele. Até que um belo dia, eu resolvi ler todos os artigos da ABPK, o que mudou bastante minha visão sobre as coisas. Logo depois, descobri o site que, mais tarde, seria a maior influência em relação ao Parkour na minha vida: ParkourBR. Li todos os posts da pagina inicial, e depois disso eu estabeleci uma meta: Ler TODOS os textos do parkourbr !! Demorou uns 2 meses eu acho pra poder ler tudo, mas valeu a pena. Hoje sou uma pessoa diferente se compararmos com o que eu era há uns 2 anos atrás.
Sabemos que no Nordeste a prática do Parkour é bem menos desenvolvida, pela falta de informação e estrutura. Quando eu comecei a treinar, Recife era um local de muita modinhagem, e como todo traceur, eu ficava muito chateado em ver o rumo que o Parkour daqui estava tomando e tentava mudar isso de qualquer maneira. E justamente pelo fato de boa parte do pessoal daqui - pelo menos naquela epoca - nao ter interesse em ler, se informar, evoluir e conhecer a fundo o que realmente era o Parkour eu ficava agoniado, pondo quase que semanalmente textos no orkut, tentando mudar a cabeça da galera. E mesmo com a melhor das intenções, algumas pessoas viam isso de uma forma diferente...achavam que era só mais uma maneira de eu tentar me gabar. Felizmente, isso mudou muito graças a iniciativa de alguns traceurs daqui de se informarem e concientizarem/divulgarem o verdadeiro Parkour no estado.
Postado por: Lukinhas

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Evolução vs integridade física

A evolução que quero dizer é, não só uma evolução física, mas também uma evolução mental, e como o parkour é uma disciplina de risco, nossa integridade sempre está em risco."C'est le vrai parkour" foi o que David Belle disse ao cair no saut de chat + saut de bras; significa "este é o verdadeiro parkour", o parkour que você não sabe o que pode acontecer. Todos nós, nos movimentos mais simples, podemos errar e nos machucar, qualquer movimento merece repetições e repetições e a máxima atenção nos treinos.
Sempre que tentamos um movimento novo e de certo risco, sentimos medo. Isso acontece com todos, a diferença é de quem sabe enfrentar ou não o medo para executar o movimento de risco. Por vezes, pessoas que têm um condicionamento físico bom e que têm tecnica não executam determinado movimento apenas por medo. Porém, também há aqueles que não estão preparados para executar o movimento, por não ter técnica e preparo físico suficiente. O medo é algo que pode servir de aliado ou inimigo; Corajoso não é aquele que não tem medo, pois todos nós temos medo. Corajoso é aquele que sabe controlar seu medo.
A confiança é algo que adiquirimos com tempo, e que não é que nem andar de bicicleta - uma vez que você sabe, nunca mais se esqueçe -, a confiança precisa ser alimentada sempre, se não você a perde. Acho que a confiança vem a partir do momento que você tem conhecimento de suas habilidades; Se você sabe que é forte, que seus braços são firmes como aço, a possibilidade de você sentir medo num Saut de Bras é bem menor do que um cara que é fraquinho, fraquinho. A bronca é que tem pessoas que tem habilidades, mas simplesmente não tem confiança e não conseguem se libertar do medo (coisa muito comum no Parkour), e nesse caso, nada que eu disser aqui poderá mudar isso, depende só de você. Devemos estar preparados para os movimentos que vamos executar, e concentrados no obstáculo, totalmente concentrados. Essas pessoas que enfrentam o medo realmente sentem a emoção do movimento, se sentem bem depois de ter executado o movimento. Sabe que fez o que conseguiria, e não por "doidera" ou pra depois dizer pros outros que fez uma coisa de muito risco.
Lembrem-se que no parkour o objetivo é superar a si mesmo, e que quando um medo é enfrentado você superou um certo limite, e impôs outro mais dificil. Pra min a evolução no parkour se trata disso; ganhar técnica e condicionamento físico, executando movimentos cada vez mais dificeis, mas estando preparado pra executá-los, e assim, impondo e enfrentando novos limites, sempre haverá evolução no seu parkour, e dificilmente você estagnará.
Postado por: Pipou

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

"The taste for effort you must have it"

A frase do título é de autoria do William Belle no documentário Generation Yamakasi: "Você precisa ter gosto pelo esforço."

Finalmente eu descobri o que de fato é dor, sufoco, agonia, cansaço...Tudo isso graças ao Hell's Day hehehe
A melhor sensação do treino é o sentimento de conquista. Conseguir completar todas as voltas planejadas no quadrupedal, atravessar aquele muro exorbitantemente extenso no cat.
A segunda melhor sensação é a de vomitar e/ou desmaiar xD


Retirado do site Gym Jones: "Effort and pain may not be avoided"

Postado por: Lukinhas

Experiência

Eu tenho apenas 14 anos de idade e tenho menos de 1 ano e meio de parkour. Porém, quero compartilhar com vocês algumas coisas que aprendi com o Parkour e com as pessoas que eu convivo desde que comecei a praticar a disciplina.
Não quero me gabar, nem dizer que sou o experiente. É que hoje eu tive uma das melhores conversas da minha vida com um traceur bem mais velho que eu, e que eu considero muito. Daí resolvi fazer esse post pq de vez em quando é bom desabafar xD

• No Parkour eu aprendi a ter paciência, aprendi que há o tempo de colher e de plantar. Que você não aprende tudo da noite pro dia e que é preciso se esforçar muito para colher coisas boas.
• No Parkour eu aprendi que você NUNCA deve se frustrar. Frustração é a ultima coisa que você procura obter no Parkour.
• Aprendi a ser perseverante, e apesar das dificuldades persistir. Aprendi a NUNCA, JAMAIS e DE JEITO NENHUM desistir. Se você desiste é pq vc não aceitou o seu fracasso nas suas outras tentativas e que vc simplesmente não quer ser melhor do que já é.
• Aprendi a não ficar me punindo, e olhar os erros como forma de melhorar.
• Aprendi que a humildade - assim como a amizade - não é uma simples palavra, é algo que deve ser alimentado diariamente para se fortalecer.
• Aprendi que QUERER É PODER! Se você quer, vá em frente e corra atrás da sua meta. Tudo é possível.
• E aprendi que todos os valores morais e virtudes que agreguei na prática do Parkour devem ser aplicados na minha vida.

Bons treinos pra vcs xD
Postado por: Lukinhas

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

"Hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje."

Certo dia eu estava numa daquelas conversinhas de café da manhã com minha mãe...
Conversa vai, conversa vem, chegamos num assunto que levou ela a comentar sobre a filosofia "Kaisen". Depois da breve explicação que ela me deu, fiquei curioso e decidi aprofundar mais no assunto...

A palavra Kaisen vem do Japão e significa "progressão contínua".

"This is not a once a month or once a year activity, it is continuous. In most cases these are not ideas for major changes. Kaizen is based on making little changes on a regular basis"

A ídeia não é progredir uma vez na semana ou uma vez no mês, fazendo mudanças radicais. A progressão é continua, é você se auto-superar a cada momento, dando o melhor de si, buscando sempre a evolução. Essa filosofia foi criada pelas empresas japonesas na época da Segunda Guerra Mundial e um ponto interessante é que esse sistema de aprimoramento contínuo prega a melhoria de todos os setores da empresa. Não adianta ser bom em apenas uma coisa, a progressão é geral. Muitos já devem ter ouvido falar na frase "Se não está quebrado, não tente melhorar". A filosofia Kaizen se opõe a isso.

Essa é a minha visão sobre o espírito do MEU parkour; ser sempre melhor do que eu fui antes, nunca satisfeito ao ponto de estagnar. Sempre que eu vou treinar, eu fico em mente "Eu espero que esse seja o melhor treino que eu já tive". As vezes eu tô até meio morgado, mas eu procuro sempre descobrir uma coisa nova, seja sobre o local de treino ou sobre meu corpo. Parkour é uma descoberta contínua !! Cada vez que eu saio de casa pra treinar eu volto com um conhecimento a mais das capacidades do meu corpo, das minhas habilidades e do lugar onde vivo.

Mudadndo um pouco o assunto: Eu já ouvi historias dizendo que Belle dava a volta em Lisses no quadrupedal...você tem idéia do que isso significa ?! Vê a monstruosidade da coisa ?
Acho que o que muita gente precisa é despertar essa vontade de evoluir, tanto no parkour como nos treinamentos físicos. Dor, tédio, agonia e desconforto não devem ser evitados. Bruce Lee já dizia que pro treino ser proveitoso tem de ser CHATO. E como o Alberto já me disse algumas vezes: "Não há treino eficiente sem desconforto!"

http://br.youtube.com/watch?v=1or7aT2lLx8
http://br.youtube.com/watch?v=78utfLY_qIY

Recomendo esses dois vídeos aí xD

Postado por: Lukinhas